A origem da astrologia no Brasil 

Tempo de leitura: 7 min

Escrito por mcoutinho
em fevereiro 11, 2022

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A origem da astrologia no Brasil 

Ler um horóscopo rapidinho antes de sair de casa, dentro do ônibus ou ouvir em podcast a caminho do trabalho ou escola são cenas cada vez mais comuns de se ver no Brasil, elas comprovam que os brasileiros têm grande interesse pela astrologia.  

O que poucas pessoas sabem é como os signos do Zodíaco ganharam tamanha relevância em terras inicialmente Tupis. 

A vontade de saber sobre o futuro é inerente ao ser humano, obviamente. É como uma questão de sobrevivência, se você puder se precaver sobre alguma situação negativa, é melhor, ainda que as antevisões sejam baseadas em hipóteses e não entregar 100 % de certeza.  

A quantidade de artigos, vídeos, podcast e memes sobre astrologia e o grande engajamento que eles têm nas mídias digitais revelam que para muitos brasileiros “o que dizem os astros” é muito significativo. 

Em 2020 um dos maiores aplicativos de relacionamento, o Badoo, realizou uma pesquisa que contou com a participação de 1.149 usuários. Ela apontou que deste número 23,67% considera o signo dos pretendentes para iniciar ou continuar uma relação.

Outra pesquisa maior também pode servir como orientação para esta questão. O projeto Peoplestrology, que atua na astrologia moderna entrevistou 2.800, e concluiu que 44% das pessoas acreditam em misticismo. 

Além de poder se defender previamente de um cenário desfavorável, a predileção pelas previsões astrológicas podem se relacionar com o desejo emergente no autoconhecimento. Sim, é tudo sobre si mesmo (risos). 

Em um país cuja população é formada por diversas religiões, sendo a mais praticada, segundo pesquisa publicada pelo Datafolha em 2020, a católica e evangélica, 50% e 31%, a astrologia, que não é considerada religião, fura a bolha cristã e leva boa parte dos fiéis cristãos, ainda que imperceptivelmente, a acreditar em crenças de origem pagã. 

Como a astrologia chegou no Brasil?

A astrologia chegou no Brasil através das Lojas Maçônicas, por meio de maçônicos viajantes que  se dedicavam ao estudo da astrologia pela Inglaterra e França. Eles receberam fortes influências dos Rosacruzes Ingleses, que eram estudiosos sobre filosofia mística. 

Também devemos destacar a influência de Portugal, enquanto Coroa, sobre o Brasil. Com ênfase na Escola de Sagres, que teve como principal nome Dom Henrique. Ele abriu mão da monarquia para se dedicar a astrologia, sendo responsável por um dos primeiros livros sobre o tema, “Segredo dos Segredos Astrológicos”.

Depois de receber influências de Portugal e dos maçons, houve uma movimentação no sentido de organizar os estudos sobre os astros do ponto de vista místico no Brasil. Para isto foi criada a Fundação do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, por Antônio Olívio Rodrigues, que foi um dos precursores do estudo no país. 

Antônio Olívio nasceu em Lisboa (Portugal), em 7 de outubro de 1879, sim, ele era de Libra. Porém foi chegar ao Brasil somente em 1890, aos 11 anos de idade, como imigrante, trabalhando como jornaleiro, jardineiro e operário, entretanto, desde cedo já tinha sede de conhecimento. 

Depois de completar 20 anos, o português começou a estudar o espiritismo segundo Allan Kardec, porém sua paixão maior começou quando teve contato com os escritos dos ocultistas e astrólogos Max Heindel. Helena Blavatsky, Prentice Mulford, Eliphas Lévi e Ramacharaca. 

Ele entrou para  a Ordem Martinista, à Ordem Rosa Cruz e à Sociedade Alquímica da França. Abriu um consultório para atendimento, onde realizava cálculos astrológicos e escrevia horóscopo

E criou um importante meio de comunicação para difundir as ideias, a Editora “O pensamento”. Que lançou livros importantes sobre o assunto no país. Sem dúvidas o libriano Antônio Olívio Rodrigues foi importante para que os ideais esotéricos chegassem ao país. 

Outra personalidade de igual importância para a história da astrologia brasileira foi Francisco Valdomiro Lorenz, ele escrevia e falava mais de 100 idiomas, foi responsável pela veiculação da astrologia na região Sul do Brasil, através do quadro “A Hora Esotérica”, transmitido pela Rádio Farroupilha, em que o professor de ciência e espiritualidade Moacir Moacir Costa de Araújo Lima apresentava quando ainda tinha 14 anos. A nossa equipe Moacir relembrou, “O programa era apresentado pelo Sr. Antônio José Pereira Junior (Pereirinha), fundador e presidente do Centro Esotérico Vivekananda. 

Outros nomes fizeram parte da disseminação desses ideais no país, são eles:

Jubal Tavares
Omar Cardoni Nunes
Antonio Facciollo Neto
Ivan Moraes e Silva
Antonio Federighi
Gérsio Passadore
Maria José Faria de Paula
Juan Alfredo Cesar Muller
Nazareno Micheletti
Vilma Andrade Fucher
Waldyr Bonadei Fucher
Chafy Miguel Bittar

Essas pessoas trabalharam por anos para que a astrologia começasse a ser levada a sério no Brasil. 

Contudo, o esoterismo só foi ganhar grande atenção em nível nacional quando começou a ser divulgado no programa “Xênia e Você”, transmitido pela TV Bandeirantes, sem seguida na Rádio Capital. 

A pauta nova despertou o interesse de emissoras concorrentes como a TV Globo, que começou a produzir matérias para exibição no programa Fantástico, TV Manchete, TV Cultura, TV Capital de Brasília (TV Tupi) entre outros. 

A partir de tamanhas divulgações, os horóscopos passaram a fazer parte do cotidiano brasileiro. 

Em 2001 foi criada a ABA,  Associação Brasileira de Astrologia, Ordem Nacional dos Astrólogos e Cosmo-Analistas. 

Com o passar do tempo e a popularização da astrologia, as mídias começaram a enxergar interesses comerciais. Para tornar o assunto cada vez mais instigante para as grandes massas (público), o assunto deixou de ser levado a sério como e foi reduzido a horóscopos amorosos. 

Incomodados com a banalização da astrologia, especialistas dividiram a astrologia em duas partes: popular e científica. 

A astrologia popular consiste basicamente em horóscopos e curiosidades sobre os astros produzidos, em sua maioria, por jornalistas, psicólogos, amadores ou mesmo sensitivos que se identificam com o assunto. 


Astrologia científica

Embora a astrologia ainda não seja considerada uma ciência, ela se horizonta em estudos mais empíricos, que levam em consideração os eventos espaciais, a história, a filosofia, a geografia, a psicologia,  e astronomia. 

Ela é suportada em bases mais sólidas que meros achismos ou intuitivos. 

Astrologia Folclórica 

O psico astrólogo Voltaire Dandreaux Silva define alguns horóscopos publicados em alguns sites de notícias como “astrologia folclórica”. Que é nada mais do que a divulgação de previsões astrológicas com o objetivo de trazer entretenimento para o público, ou seja diversão. 

Isso é muito visível em vídeos que viralizam na internet, do tipo “Áries no Amor”, ou “Os signos apaixonados”, etc.

É uma vertente da astrologia que não se importa em com os estudos em si, e nem em comprovar que as previsões são verídicas ou embasadas em algum tipo de conhecimento, igualmente o público, que embora saiba que os artigos, vídeo e áudios não tem solidez alguma, mas gosta de acompanhar pois garante boas risadas. Um nome mais apropriado para este tipo não seria “Astrologia recreativa”?  

Astrólogos negam existência de um 13ª signo do Zodíaco 

Para quem não sabe, os 12 tradicionais signos do Zodíaco são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Entretanto, usando a precisão dos equinócios como argumento, alguns astrônomos defendem a tese sobre a existência de um 13º signo. 

Essa questão não é muito bem aceita entre os astrólogos, por se basear única e exclusivamente em bases descritiva e quantitativa, o que de acordo com Antonio Facciollo Neto, Diretor e Fundador do Instituto Paulista de Astrologia não se pratica em astrologia. 

“Eles pensam que só existe zodíaco de constelações, que é o mais inadequado para se dividir o circuito, porque as constelações têm tamanhos diversos, tem signos de 14 graus, tem signos de 51 graus, portanto é impraticável utilizar o zodíaco de constelações”, explicou. 

Obviamente, os astrólogos veteranos do Brasil, não conseguem brecar a quantidade de conteúdos sobre o tema veiculados diariamente na internet. Porém os leitores devem se atentar a textos infundados, pois o que parece ser apenas uma brincadeira, para muita gente é levado a sério.  

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